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Umbanda
A vinda do espírito para a caridade
Segundo o dicionário, Umbanda é uma "forma cultural originada da assimilação de elementos religiosos afro-brasileiros pelo espiritismo brasileiro urbano", porém se dentro da Umbanda conseguimos nos religar com Deus, tirando o véu que cobre nossa ignorância da presença de Deus em nosso íntimo, transpomos o aspecto cultural para nos deparar com uma forma de religião, não de cultura. A Umbanda é uma religião lindíssima, e de grande fundamento, baseada no culto aos Orixás Yorubás, ancestrais dos negros africanos escravizados no Brasil, e dos ancestrais do povo brasileiro, divinizados à maneira africana de ver o mundo: Caboclos, Boiadeiros, Marinheiros, Doutores, Preto-velhos e Exus. Estes grupos de espíritos estão na Umbanda "organizados" em linhas, cada uma delas com funções, características e formas de trabalhar bem específicas, mas todas subordinadas às forças da natureza que os regem, os ORIXÁS. Na verdade a Umbanda é bela exatamente pelo fato de ser mista como os brasileiros, por isso é uma religião totalmente brasileira.
A formação histórica do Brasil incorporou a herança de três culturas : a africana, a indígena e a européia. Este processo foi marcado por violências de todo o tipo, particularmente do colonizador em relação aos demais. A perseguição se deveu a preconceitos e a crença da elite brasileira numa suposta alienação provocada por estes cultos nas classes populares. No início do século XX, o choque entre a cultura europeizada das elites e a cultura das classes populares urbanas, provocou o surgimento de duas tendências religiosas na cidade do Rio de Janeiro. Na elite branca e na classe média vigorava o catolicismo ; nos pobres das cidades (negros, brancos e mestiços) era grande a presença de rituais originários da África que, por força de sua natureza e das perseguições policiais, possuíam um caráter reservado.
Na segunda metade deste século, os cultos de origem africana passaram a ser freqüentados por brancos e mulatos oriundos da classe média e algumas pessoas da própria elite. Isto contribuiu, sem dúvida, para o caráter aberto e legal que estes cultos vêm adquirindo nos últimos anos. Esta mistura de raças e culturas foi responsável por um forte sincretismo religioso, unificando mitologias a partir de semelhanças existentes entre santos católicos e orixás africanos, dando origem ao Umbandismo. A Umbanda possui grande flexibilidade ritual e doutrinária, o que a tornou capaz de adotar novos elementos ao longo da evolução da religião. Assim, o elemento negro trouxe o africanismo (candomblé e panteão yorubá); os índios trouxeram os elementos da pajelança; os europeus trouxeram o Cristianismo e o Kardecismo; e, posteriormente, os povos orientais acrescentaram um pouco de sua ritualística à Umbanda.
A Umbanda verdadeira só pratica rituais de Magia Branca, ou seja, aqueles feitos para melhorar a vida de determinada pessoa, para praticar um bem, e nunca de prejudicar quem quer que seja. Os espíritos da Quimbanda (Exus) podem, no entanto, ser invocados para a prática do bem, contanto que isso seja feito sem que se tenha que dar presentes ou dinheiro ao médium que os recebe, pois o objetivo da mediunidade na Umbanda é tão somente a prática da caridade.