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Giras
Cultuando nossos protetores às quartas, 20:00
Um dos principais rituais da Umbanda é chamado "Gira", tendo esse nome por imitar o "giro cósmico" do universo. As Giras compoêm-se basicamente de três fases, a saber: preparação, abertura e encerramento. Por dentro da Gira encontraremos fundamentos básicos que são comuns a todos os terreiros, tais como "pontos cantados", a "defumação", a chamada incorporação de entidades e por dentro das consultas há o receituário de ervas e a indicação de determinados trabalhos de descarrego ou de elevação.
A Ritualística de Umbanda é bastante vasta, e vem sendo passada de pai para filho dentro da religião e, principalmente, vem sendo moldada pela orientação de nossos mentores espirituais, sendo sempre o principal objetivo a caridade através dos atendimentos realizados por estes mesmos mentores. Através da incorporação mediúnica, Entidades Espirituais muito mais evoluídas do que nós encarnados, vem prestar uma espécie de socorro as pessoas que recorrem á Umbanda. A forma que se realizam estes rituais difere um pouco de um templo para outro, justamente pelo fato de que cada casa possui seus fundamentos próprios, passados pelos seus mentores espirituais, mas em síntese ocorrem os mesmos preceitos. O Terreiro é dividido em duas partes, o Congá (barracão) onde ficam os médiuns que irão trabalhar incorporados juntamente com os que irão auxiliar como cambonos e a assistência (sala de espera), onde se acomodam as pessoas que vem em busca deste atendimento. A ritualística de abertura de uma Gira de Umbanda basicamente é composta de danças para os Orixás, cantos de melodias chamadas por nós de Pontos cantados, defumações com ervas especiais e orações. Ou seja, dentro da ritualística umbandista também se vê com clareza a mistura que compõem esta maravilhosa religião. Os atabaques e outros instrumentos comuns nos cultos aos Orixás se somam a práticas mais familiares aos cultos católicos, mas o culto aos Orixás sempre predomina, em muitos casos o Padê para o Orixá Exú, precede todas as Giras, e isso é fundamento herdado do Candomblé que tem efeito prático no resultado das sessões.
Este Padê consiste em cantar pontos para Exú e em seguida levar uma oferenda (ebó) até a canjira, que é o assentamento do Orixá na casa e fica do lado de fora do terreiro. Na prática, este ritual é um pedido para que Exú cuide da porteira e evite assim intromissões de espíritos menos evoluídos no trabalho, o chamado "descarrego". Após estas louvações, rezas e pedidos, se chama em terra a Entidade Chefe do Terreiro que irá incorporar no Zelador de Santo, ou coordenador ou Dirigente do terreiro, para tanto são entoadas cantigas (Pontos)especiais e próprias da Entidade que virá trabalhar neste dia. O Guia Chefe, depois de realizar os rituais de segurança da Gira, chama os médiuns já desenvolvidos que irão receber as Entidades que irão prestar o atendimento a assistência. Este atendimento é feito individualmente, os Guias de Luz passam orientações, receitas de banhos com ervas, dão o tradicional "passe mediúnico" que é o momento onde as Entidades realizam as magias que resolvem os problemas daquela pessoa assistida. São realizados diversos rituais nesta hora, mas acima de tudo estas Entidades confortam as pessoas com seu modo carinhoso e humilde.
As quartas feiras em que existem giras encontram-se no nosso caledário, que pode ser visualizado clicando aqui.